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DÚVIDAS

 

1 -  Por que a radiação UV é uma radiação não-ionizante?

Segundo o relatório 33 da International Commission on Radiation Units (ICRU, Radiation Quantities and Units, rep. 33, 1980), classifica-se de radiação ionizante aquela constituída de partículas, carregadas ou não, com ou sem massa, capaz de ionizar um meio material através de processos de ionização primários ou secundários. Por outro lado, o relatório da International Non-Ionizing Radiation Committee of the International Radiation Protection Association (INIRC/IRPA, Review of concepts, quantities, units and terminology for non-ionizing radiation protection, Heath Physics, 49(6), 1329-1362, 1985) define como radiação não-ionizante toda onda eletromagnética com comprimento de onda superior a 100 nm (12,4 eV), os campos estáticos elétricos e magnéticos e as ondas mecânicas de ultra-som.

Note que embora essas duas definições não citem um meio material específico, quando se fala em termos de proteção radiológica o meio de interesse é o tecido biológico cuja composição básica está indicada na tabela abaixo.

   Composição em peso-percentual do tecido biológico

Elemento

Peso-percentual (%)

H

10,2

C

12,3

N

3,5

O

72,9

Outros 1,1

 

Os principais mecanismos de interação da radiação não-ionizante com o tecido biológico são a produção de radicais livres e a modificação estrutural de moléculas, não a ionização. 

2 - Além do Sol que outras fontes de radiação UV estão presentes no nosso dia-a-dia?

Do ponto de vista das fontes artificiais, podem ser citadas as lâmpadas de iluminação de alguns ambientes (oficinas, estádios, estúdios, ruas e etc), os arcos de solda, as lâmpadas das cabines de bronzeamento artificial e alguns tipos de laser. Embora o Sol seja a maior fonte de radiação UV na natureza terrestre, algumas dessas fontes artificiais podem produzir radiação UV com intensidade até maior que a do Sol.

3 - Por que a radiação UV aumenta com a altitude?

A atmosfera terrestre é composta de nitrogênio e oxigênio como gases majoritários. Além deles ainda há outros gases e material particulado (aerossóis) em quantidades muito menores: o ozônio é um desses gases (dê uma olhada na seção Ozônio). A radiação UV vinda do Sol é atenuada pela atmosfera terrestre, quanto mais ela avança através do ar mais ela é atenuada. Em outras palavras, ao avançar pela atmosfera em direção ao solo a radiação tem sua intensidade reduzida progressivamente. Assim, numa localidade mais elevada a incidência de radiação UV é maior devido à camada atmosférica mais fina sobre a localidade.


4 - Expor-se por longos períodos à radiação solar num dia frio é perigoso?

Sim, também é perigoso. Algumas pessoas pensam que não há perigo em se expor ao Sol por longos períodos em dias frios. Isto é um equívoco. O fato de a temperatura estar mais baixa não quer dizer que não haja radiação UV incidindo no ambiente: temperatura ambiente (frio ou calor) e radiação UV são coisas distintas. Durante o inverno a incidência de radiação UV diminui devido ao posicionamento do Sol ao longo do dia ser mais próximo do horizonte, implicando numa camada atmosférica mais espessa a ser atravessada pela radiação solar. Contudo, essa diminuição significa apenas uma redução nos cuidados a serem tomados na exposição direta ao Sol.

5 - Se o dia está nublado preciso me preocupar com a radiação UV?

Com certeza. O fato de o dia estar nublado não quer dizer que não haja incidência de radiação UV. Quer dizer apenas que houve uma redução na intensidade da radiação, uma vez que as nuvens não são capazes de blindar completamente os raios solares UV. Na verdade, sabe-se que as nuvens são mais transparentes à radiação UV do que à porção visível da radiação solar. Além do mais, imagine que por apenas alguns minutos o Sol apareça entre as nuvens. Nesse evento poderia passar radiação solar UV suficiente para provocar uma exposição perigosa ou até mesmo um eritema, uma vez que dependendo do ÍNDICE UV e do tipo de pele da pessoa seriam necessários apenas alguns minutos de exposição para tal.

 

6 - Existe tempo máximo de exposição segura ao Sol?

Não, não existe. Os piores efeitos da radiação UV sobre o organismo humano resultam de uma dose acumulativa, isto é, a dose recebida num dia vai se somar às demais recebidas nos outros dias por menores que todas elas tenham sido. Às vezes, podemos deparar com tabelas que propõem um tempo de exposição segura ao Sol para evitar um eritema. Contudo, essas tabelas pecam de duas maneiras pelo menos: Primeiro, o tempo para desenvolver um eritema pode variar bastante mesmo entre pessoas com pele de mesma cor, pois há outros elementos fisiológicos, geofísicos e ambientais que interferem nesse tempo; Segundo, se esquecem que durante o proclamado “tempo de exposição segura” a pessoa está acumulando dose para os demais efeitos nocivos da radiação UV que, por sua vez, são piores que o eritema. 

 

7 - Por que a pele fica vermelha (eritema) após uma exposição excessiva ao Sol?

Quando a radiação UV incide sobre a pele humana ela produz diversas modificações microscópicas: a mutação do gene p53 nas células epiteliais é um exemplo. O organismo desencadeia, então, uma série de reações fisiológicas na tentativa de corrigir as alterações ocorridas. Nessa tentativa os vasos sangüíneos se dilatam para permitir maior fluxo de sangue às células, o que dá à pele o aspecto avermelhado denominado de eritema. O eritema é também conhecido como queimadura de sol uma vez que geralmente está associado a uma sensação de ardência na pele.

 

8 - Como posso me proteger da radiação UV?

Há várias maneiras de se proteger da radiação UV. Antes de tudo, tenha em mente uma mudança de hábitos: sempre que for prático e possível prefira estar na sombra. Se você vai se expor diretamente ao Sol, sempre que possível procure usar: 
a - Um chapéu com abas para proteger a nuca e as orelhas além do rosto; 
b - Óculos com lentes escuras de boa qualidade. Lentes escuras de má qualidade não blindam a radiação UV e acabam provocando um efeito pior do que se você não estivesse usando nada, pois as pupilas dilatadas devido à lente escura permitem que mais radiação UV atinja o interior dos olhos; 
c - Loção para pele com filtro solar (também conhecida como protetor solar ou filtro solar) em todas as partes expostas do corpo. Contudo, o ideal é ir primeiro a um médico de sua confiança e pedir a ele que, além de examinar manchas ou alterações na sua pele, indique a loção mais apropriada para o seu tipo de pele e a maneira correta de aplicá-la.

9 - A loção para pele com filtro solar pode causar algum malefício?

Há pessoas que apresentam às vezes alguma sensibilidade a algum tipo de loção. Por isso é importante que você vá ao médico para que ele indique a loção mais apropriada ao seu caso. Um outro aspecto importante, mas ainda quase nunca lembrado, é que a loção protetora que você vai usar na sua exposição ao Sol é um produto químico artificial. Queira ou não, ela acabará retornando ao meio ambiente na água que você se banhar. Não se sabe ainda ao certo que efeitos isso provoca ou provocará ao meio ambiente. É importante, então, que você faça um uso racional desses produtos, não fazendo uso de forma aquém ou além do necessário e estando alerta para produtos que, muito embora não sejam prejudiciais à saúde humana, possam provocar danos ao meio ambiente.

 

10 - Se estou usando a loção para pele com filtro solar significa que posso me expor por mais tempo ao Sol?

Não, não significa. Este é um exemplo dos conceitos equivocados em torno da proteção produzida pela loção para pele com filtro solar. O número que vem escrito no rótulo do frasco da loção, em geral acompanhando a sigla FPS (Fator de Proteção Solar), significa que ao utilizar a loção a absorção de radiação UV pela pele será reduzida tantas vezes quanto o valor FPS. Portanto, isso significa que a pele não está completamente protegida da incidência de radiação UV. Na verdade, um pouco da radiação incidente ainda chega à pele. Como o efeito da radiação UV para outros malefícios é acumulativo, esse pequeno montante de radiação somado a outros tantos que a pessoa vem somando ao longo da vida podem vir a produzir um efeito significativo no futuro, embora imediatamente ela esteja protegida do eritema. Portanto, mesmo utilizando a loção para pele com filtro solar a atitude correta é evitar a exposição excessiva ao Sol. 

 

11 – Se a loção para a pele com filtro solar não protege a pele completamente da radiação UV, quanto é que ela protege então?

O valor FPS (veja a questão 10) informa de quantas vezes será a redução na absorção de radiação UV pela pele se você aplicar a loção corretamente, isto é, 2 miligramas de loção para cada 1 centímetro quadrado de pele. Portanto, para um FPS igual a 8 a absorção UV cai para 12,5% (absorção UV = 100%/FPS), para um FPS igual a 15 a absorção UV cai para 6,7% e assim por diante. A quantidade recomendada de loção (2 mg/cm2) pode trazer alguma dificuldade prática no momento de sua aplicação. Por isso é importante consultar o médico e pedir a ele que lhe mostre a maneira correta de passar a loção.  


12 - O que é o bronzeado?

A tonalidade da cor da pele humana é controlada por uma substância chamada melanina. Quando nos expomos ao Sol, a radiação UV induz nosso organismo a produzir mais melanina, o que fica evidente algumas horas mais tarde com o aparecimento de um tom mais escuro na pele: isto é o que chamamos de bronzeado. Pessoas de pele branca têm quantidades muito pequenas de melanina, por isso elas nunca ficam bronzeadas e sempre se queimam numa exposição prolongada ao Sol. As demais têm a capacidade de estar sob o Sol por mais tempo sem desenvolver um eritema graças à maior quantidade de melanina em sua pele. A melanina funciona como uma espécie de escudo contra a radiação UV no sentido de evitar o eritema (o bronzeado produz uma proteção equivalente a um FPS por volta de apenas 3), mas ela não protege o organismo humano dos demais malefícios da radiação. Na verdade, hoje se sabe que a melanina oxidada pela radiação UV numa exposição ao Sol pode levar ao pior tipo de câncer de pele: o melanoma. Portanto, embora em nossa sociedade o bronzeado seja visto como um símbolo de beleza e, de forma equivocada, até mesmo como um sinal de estilo de vida saudável, ele antes de tudo é uma reação do nosso organismo à agressão sofrida numa exposição excessiva à radiação UV.

13 – É possível ficar bronzeado ou ter a pele queimada pelo Sol mesmo sob a proteção de um guarda-sol?

Sim, é possível. A radiação solar que chega ao solo é composta das radiações difusa e direta (É comum dizer que estas radiações são as componentes da radiação solar global). Como a radiação direta vem do Sol sem sofrer espalhamento nas partículas atmosféricas (gases e aerossóis), podemos nos proteger dela nos abrigando sob uma cobertura como a de um guarda-sol. Contudo, no caso da radiação difusa se torna um pouco mais complicado evitá-la uma vez que ela é produzida pelo espalhamento da radiação solar na atmosfera. Assim, mesmo sob a proteção de um guarda-sol estamos recebendo radiação difusa oriunda de todas as partes do céu que não estão encobertas pelo guarda-sol. Além disso, há também a radiação difusa resultante do espalhamento da radiação solar no solo (radiação albedo). Por isso, é importante usar a loção para pele com filtro solar mesmo quando se está sob a proteção de um guarda-sol.

 

14 – A prática do bronzeamento artificial pode provocar algum dano à saúde?

O bronzeamento artificial é a aquisição de um tom mais escuro da pele através da exposição à radiação numa cabine de bronzeamento. Essas cabines são equipadas com lâmpadas especiais que emitem radiação na faixa do UV, que é a mesma radiação emitida pelo Sol. Assim, numa seção de bronzeamento artificial a pessoa estaria se expondo à radiação UV praticamente da mesma forma como se estivesse direto sob o Sol. Embora a duração da seção não seja suficiente para provocar um eritema, ou uma queimadura na pele, pode ser suficiente para provocar o envelhecimento precoce da pele depois de muitas seções, um câncer de pele mais tarde, ou outros malefícios associados à radiação UV. A Organização Mundial da Saúde não recomenda a prática  do bronzeamento artificial e sugere que o uso de cabines de bronzeamento só deve ser adotado sob prescrição médica por necessidade de tratamento de saúde.

 

15 - Já que a radiação UV é nociva à saúde humana, devemos evitá-la totalmente não nos expondo de maneira alguma ao Sol?

Não. Nós precisamos diariamente de alguma exposição à radiação solar UV. Na verdade, essa radiação desenvolve um importante papel na promoção da saúde humana, uma vez que ela induz a síntese da maior parte da vitamina D (a partir da pré-vitamina D3) encontrada no nosso organismo. Essa vitamina atua no fortalecimento dos ossos, havendo vários indícios (embora a maioria ainda não comprovada) de que ela atuaria também contra o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, esclerose múltipla, artrite, hipertensão, resistência à insulina e doenças  periodontais.  A radiação  UV, a  faixa do UVB para ser exato (veja a seção Radiação UV), é a principal promotora da síntese de vitamina D. Num país tropical como o Brasil, alguns minutos de exposição diária ao Sol de partes do corpo como o rosto, mãos e braços, sem o uso da loção com filtro solar, são suficientes para a maioria das pessoas se manterem dentro dos índices normais de vitamina D: Em Belo Horizonte, por exemplo, o tempo de exposição ao meio-dia de um dia ensolarado sem nuvens varia de 5 a 10 minutos do verão ao inverno para uma pessoa de cor branca. Portanto, não devemos deixar de ter uma exposição mínima diária ao Sol. Dispomos ainda de uma segunda fonte de vitamina D através do consumo de certos alimentos de origem animal e vegetal. Peixes cuja gordura contém o ácido graxo ômega-3 são fontes de pré-vitamina D3, enquanto que a pré-vitamina D2 pode ser obtida dos vegetais que também a produzem induzidas pela radiação solar UV. Após a ingestão desses alimentos o nosso organismo transforma as pré-vitaminas em vitamina D. Contudo, necessitamos das duas fontes, Sol e alimentos, para manter os níveis de vitamina D normais no organismo.

 

Antes das 8 e após as 17 horas a incidência de radiação solar UVB é pequena para uma produção eficiente de vitamina D. Por isso, a exposição ao Sol com o objetivo de obter boas concentrações dessa vitamina no organismo deve ocorrer entre as 9 e as 16 horas. Isto parece contraditório uma vez que esse é o horário mais perigoso em termos dos malefícios da radiação solar UV. Contudo, é justamente nele que se tem uma produção adequada da vitamina e, para ser mais preciso, os estudos já mostraram que é ao meio-dia de um dia ensolarado que se tem a maior produção de vitamina D no menor intervalo de tempo, ou seja, o máximo de vitamina D pela menor dose de radiação UV.


16 – É possível que manchas, pintas e sardas apareçam na pele devido ao Sol mesmo utilizando a loção para pele com filtro solar?

Sim, é possível. No uso da loção para pele com filtro solar, algumas pessoas são levadas a crer, às vezes inconcientemente,  que estão completamente protegidas dos efeitos da radiação solar, ficando por mais tempo expostas diretamente ao Sol. Contudo, essa atitude é equivocada. A loção garante que um eritema não se desenvolverá, mas não garante que manchas, pintas e sardas, ou o envelhecimento precoce da pele, venham a ocorrer com o tempo em função da dose residual que se acumula na pele devido à ação protetora do filtro solar não ser total (Veja as questões 9, 10 e 11). 


17 – A radiação UV atravessa o vidro das janelas?

Em geral, a radiação UVB é completamente absorvida pelo vidro das janelas de residências e de veículos. O vidro laminado do pára-brisas dos veículos blinda mais de 97% das radiações UVB e UVA, enquanto que o vidro traseiro e os laterais blindam mais de 50% da radiação UVA acima de 340 nm. Nas residências, dependendo da espessura e tipo do vidro, a radiação UVA pode ser reduzida em pelo menos 25%.


18 – A radiação UV é mesmo a maior responsável pelo câncer de pele?

Sim, ela é, embora outros fatores também contribuam para a ocorrência desse tipo de câncer. Além disso, o câncer de pele é o tipo mais comum de câncer no Brasil, correspondendo a uma taxa superior a 26% dos casos novos registrados anualmente. Apesar de o câncer de pele não levar à morte na maioria dos casos diagnosticados nos estágios iniciais da doença, vale lembrar que o tratamento pode deixar seqüelas (cicatrizes devido a intervenções cirúrgicas, por exemplo) que podem comprometer a qualidade de vida do paciente. Por isso, é importante estar atento a manchas e  modificações na pele, indo ao médico regularmente para uma avaliação.

 

 

BIBLIOGRAFIA  SUGERIDA

Silva, A. A. (2010) Taxa de dose eritematosa sob o céu encoberto por alto-estrato: Estudo de caso, Revista Brasileira de Geofísica, 28, 350-55.

Silva, A. A. (2008) Medidas de radiação solar ultravioleta em Belo Horizonte e saúde pública, Revista Brasileira de Geofísica, 26, 417-425.  

World Health Organization (WHO) (2002 ) Global solar uv index, a practical guide, Fact Sheet 271, www.who.int/mediacentre/factsheets/who271/en/index.html    

World Health Organization (WHO) (2002 ) Ultraviolet radiation and healthwww.who.int/uv/en/