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RADIAÇÃO UV

Descoberta em 1801 por J. W. Ritter, a radiação ultravioleta (UV) é uma radiação eletromagnética não-ionizante que pode ser classificada em três categorias:  

Comprimento de onda (nm)

 Denominação 

% da emissão solar

100 a 280

UVC

0,56

280 a 315 (320)

UVB

1,36

315 (320) a 400 

UVA

6,80

Embora possa ser produzida por diversas fontes artificiais, a principal fonte de radiação UV na natureza terrestre é o Sol. Formado há cerca de 4,5 bilhões de anos, o Sol emite quase 9% de sua radiação eletromagnética  na forma de UV. Essa radiação está envolvida em diversos processos naturais, processos que vão desde a formação da camada de ozônio até o envelhecimento precoce da pele humana. A radiação UV também desempenha um importante papel como agente promotor da produção de vitamina D no organismo humano, sendo essa  vitamina essencial para a saúde dos ossos.

Desde a sua formação, a Terra está exposta à radiação solar e ao UV. Os raios solares UVC são absorvidos nas camadas superiores da atmosfera no processo de formação das moléculas de ozônio (dê uma olhada na seção Ozônio) e não chegam à superfície do planeta. Já os raios UVB são absorvidos por essas moléculas que se encontram em cerca de 90% de seu montante atmosférico concentradas nas altitudes de 15 a 80 km. Os raios UVA mais a parte da radiação UVB que não foi absorvida pelo ozônio são atenuados pela atmosfera até chegar à superfície do planeta, onde passam a representar cerca de 96,5% e 3,5%, respectivamente, da radiação UV que, então, é menos de 4% da radiação solar. Especialmente no caso da espécie humana, a exposição à radiação UV tem sido motivo de diversos estudos e preocupação desde o final do século 19, a partir de quando se descobriu que ela podia trazer malefícios e benefícios à saúde: N. R. Finsen descobriu que o eritema (dê uma olhada na seção Índice UV) é causado pelo UV solar em 1899, enquanto que K. Huldschinsky e A. Hess e seus colaboradores mostraram que o raquitismo podia ser curado pela exposição à radiação UV nos idos de 1920. Da porção de radiação UV que atinge a superfície terrestre sabe-se que o UVA é menos agressivo que o UVB e que este último é o principal agente promotor da síntese de vitamina D no organismo humano. Os estudos mostram que câncer de pele, catarata, envelhecimento precoce da pele, eritema e enfraquecimento do sistema imunológico estão na lista dos efeitos biológicos nocivos causados pela radiação UV.

A figura abaixo mostra a incidência de radiação UV eritematosa (veja a seção Índice UV) em Belo Horizonte (BH, 19,92o S, 43,94o O, 858 m, 331 km2) medida por um dos equipamentos do LLUV. Nesse gráfico DE significa dose eritematosa diária total, O3 é o montante de ozônio em Unidades Dobson, R é a refletância indicando o percentual de radiação UV de 360 nm refletida de volta para o espaço pela superfície e atmosfera terrestres, enquanto que AI é o índice aerossol indicativo do montante de aerossóis (material particulado líquido ou sólido) em suspensão na atmosfera. O valor positivo de AI indica uma predominância de aerossóis absorvedores de radiação, o que já é esperado uma vez que a cidade possui uma frota superior a 1.200.000  veículos abastecidos com gasolina, álcool, diesel e biodiesel cuja combustão gera materiais (aerossóis) absorvedores de radiação UV. Os dados de O3, R e AI são obtidos do experimento Ozone Monitoring Instrument (OMI) a bordo do satélite Aura (http://avdc.gsfc.nasa.gov/index.php?site=1593048672&id=28) em sua passagem diária sobre BH como indicado pela seta no eixo de tempo da figura. O máximo de incidência tende a ocorrer em torno do meio-dia local e o ziguezague observado ao longo do dia é causado pela presença de nuvens que tanto podem reduzir como incrementar a incidência de radiação.

O percentual de céu encoberto por nuvens (a cobertura de nuvens) em BH, medido a partir do solo por um equipamento do LLUV naquele 16/ago/2009 é mostrado abaixo. Comparando com a figura acima, nota-se que a incidência de radiação UV atinge valores perigosos de ÍNDICE UV (alto e muito alto) ainda que para um dia com nebulosidade elevada.

Em termos de DE diária, observam-se em BH valores máximos em torno de 7,5 e 3,0 kJ/m2 (verão e inverno, respectivamente) como mostra a figura abaixo.